sexta-feira, 7 de março de 2014

MENSAGEM DO PRIMAZ PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Santa Maria, 07 de março de 2014

Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. 1 Coríntios 11:11

Saúdo todas as mulheres de nossa Igreja neste Dia Internacional da Mulher. Gostaria de saudá-las em um contexto diferente, ou seja, num contexto onde não exibíssemos a sétima posição mundial em termos de estatísticas de violência contra as mulheres. O Brasil tem um grande débito para com suas mulheres. Débito de todas as categorias: tratamento igualitário no mercado de trabalho, igualdade de oportunidades, políticas públicas de saúde, tratamento respeitoso dentro da família, entre tantas outras áreas.
Mas também revelo aqui a minha esperança por aquilo que temos feito como IEAB na defesa de direitos. Nossa Província estará participando daqui a dias de mais uma Conferencia das Nações Unidas sobre o Status da Mulher, representada por Sandra Andrade o que afirma assim a presença continua da IEAB nas Conferencias, desde 2006. Mais que participar de um evento de alcance internacional, esta presença do Brasil eleva a voz de todas as Igrejas e organizações sociais pela superação de todas as formas de violência contra as mulheres.
Através do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento, nossa Igreja tem oferecido ferramentas de reflexão e conscientizado corajosamente nossas comunidades para transformar a realidade. A leitura da Bíblia sob uma ótica feminina tem ajudado muitos de nós, homens e mulheres a romper com padrões machistas e autoritários dentro de nossas comunidades e na sociedade em geral.
Somos desafiados pela Palavra de Deus a abandonar a passividade diante de tantas dores vividas cotidianamente pelas nossas mulheres. Precisamos reler a História sob a ótica da libertação e não da opressão. Somente assim romperemos a cadeia sutilmente mantida pela sociedade. A dominação de gênero é muitas vezes aliviada sutilmente pelas mídias, fazendo-nos crer que tudo vai bem. E este fenômeno também é alimentado pelo discurso religioso fazendo-nos crer que entre irmãos e irmãs não existe problemas. Pelo contrário, este último é igualmente pernicioso porque mascara os problemas.
Que possamos neste dia, e em todos os dias e todo o tempo assumir o compromisso de afirmar o direito de todas as mulheres, de todas as classes, etnias e condição sexual, superando de vez a discriminação, o preconceito e todas as formas de violência.
Afinal, fomos feitos homem e mulher, ambos à imagem e semelhança de Deus e estamos colocados na História para proclamar as boas novas do Reino de Deus! Sem essa compreensão de dignidade ontológica, continuaremos a assistir as trágicas cenas cotidianas que nos envergonham como Nação!

++ Francisco de Assis da Silva
Primaz do Brasil e Diocesano em Santa Maria


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