“Eis que estou à porta, e bato;
se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele
cearei, e ele comigo”.
Está chegando ao fim o período
determinado pela ONU para que os países atendam as Oito Metas do Milênio. Com
isso, a 58ª Reunião do Status da Mulher das Nações Unidas, está
discutindo o levantamento do que já foi atingido até o momento e o que ainda
está por ser feito. O consenso é de que não será possível atingirmos as metas.
Com isso, as mulheres ecumênicas estão reunidas com o objetivo de oferecer aos
embaixadores da ONU temas que deverão ser incluídos na agenda das decisões
futuras.
Uma porta entreaberta no altar,
na celebração de abertura, chamou a atenção das participantes do Encontro de
Mulheres Ecumênicas nas Nações Unidas, que neste ano ressalta “A Fé e a questão
de Gênero na igreja tendo como base a agenda da ONU”. A reflexão do dia estava
centrada nas portas que ainda estão fechadas para as mulheres. E na nossa
responsabilidade em procurar abrir essas portas, para que todas possam entrar
com gratidão e cânticos de louvores a Deus, conforme palavras do Salmo 100,
versículo 4.
A sul africana e Diretora
Executiva para Mulher da ONU, Phumzile Mlambo-Ngcuka, ao dar as boas vindas ao
nosso grupo, falou da importância em nos comprometermos em valorizar a mulher e
colocá-la como prioridade em todos os nossos projetos, tendo em vista que o
fortalecimento das mulheres reduzirá a pobreza no mundo, promoverá a paz, além
de fortalecer a educação e a saúde das crianças. Grandes passos ainda precisam
ser dados em direção aos direitos das mulheres. Só as mulheres poderão abrir os
caminhos para outras mulheres, porque a maioria dos homens se retrai e fica em
silêncio, e um bom homem em silêncio é um homem violento, pois não vai em
direção a mudar a situação das mulheres afetadas pela violência e miséria.
Na realidade ainda precisa ser
aprofundado o levantamento do que aconteceu nessa década em direção ao
desenvolvimento, em especial quanto a questão de gênero. Ainda precisamos
aprender com boas práticas que tem acontecido em igrejas e organismos sociais.
A vulnerabilidade da mulher e a justiça de gênero são temas que precisam entrar
na pauta das igrejas, organismos sociais e governos.
Esse é um momento histórico. Em
2015 serão adotadas novas metas e estamos avaliando o que fizemos e o que ainda
tem por ser feito. O positivo dos MDGs é que o mundo esteve com um objetivo
comum, o desenvolvimento de todas as nações. E a prioridade dessa reunião é
estabelecer novas metas, tendo a mulher como o foco principal. Assim, as
Mulheres Ecumênicas estão de acordo que as novas metas devem conter:
O fim da Pobreza e da Fome –
ainda tem muito o que ser feito para que esses objetivos sejam atingidos;
Igualdade de Gênero – homens e
mulheres precisam que ter acessos iguais a educação, ao trabalho e nas tomadas
de decisões. Acesso a oportunidades, dando condições das mulheres serem
autossuficientes. Ter influência nos processos decisórios;
Saúde – Muito já foi feito em
direção a melhores condições de saúde, mas é preciso assegurar melhores
condições de saúde para mulheres e meninas, especialmente na saúde sexual e
reprodutiva;
O fim da Violência contra
Mulheres e Meninas – esse tema ainda é um grande desafio para os países ricos e
pobres. Muito ainda precisa ser feito para o fim da violência de gênero. Não
permitir que as crianças sejam dadas como esposas. Essa pode ser considerada
uma das maiores violências contra as meninas.
Cabe a cada uma de nós oferecer
nossos esforços para acolher e lutar em favor das mulheres em nossas
nações. Como diz o hino cantado no final do culto de abertura do encontro: Aqui
estou Senhor, eu ouvi o seu chamado. Estou disposta a colocar o seu povo no meu
coração. (Here I am Lord).
Que a nossa querida IEAB possa se
oferecer para abrir portas para as mulheres no nosso país. Que de norte a sul
possamos juntas e juntos oferecer as mulheres brasileiras força e coragem para
recriarem suas vidas e reconstruírem suas histórias.
Sandra Andrade
Coordenadora do SADD


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